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Segunda-feira, Outubro 25, 2004
Sex toys de última geração


A inacreditável Realdoll: 6.500 dólares



Um vibrador com controle remoto acionado pela Internet, a réplica da região pélvica de uma atriz pornô, uma boneca falante, pregadores de mamilos, um pato de borracha que vibra – boa parte dos produtos eróticos norte-americanos parece coisa das Organizações Tabajara. É difícil acreditar, por exemplo, na utilidade do Lacey Double Trouble Masturbator, uma imitação dos seios da atriz Lacey, com mãos e boca acopladas. Mas o negócio é sério: apesar de as sex shops serem proibidas por lei em sete estados, a indústria do sexo movimenta, por ano, US$ 8 bilhões em vendas nos Estados Unidos; 49% dos americanos adultos têm brinquedos eróticos em casa; a loja Toys in Babeland, com filiais em Nova York e Seattle, vendeu 71.500 vibradores no último ano; e a maior sex shop virtual do país, a Adam & Eve, tem mais de 4 milhões de clientes cadastrados. "Vendemos cerca de US$ 90 milhões em mercadoria por ano e dezenas de novidades surgem a cada semana. Com a ajuda da Internet e de ícones do cinema pornô, o mercado do sexo está explodindo nos Estados Unidos", comemora a diretora da Adam & Eve, Katy Zvolerin.

Longe das capitais americanas do sexo, Las Vegas e Califórnia, a Adam & Eve está baseada desde 1972 na Carolina do Norte, estado que faz parte do Cinturão da Bíblia, a região mais religiosa dos Estados Unidos. Quatro mil tipos de brinquedos e 2.500 filmes eróticos estão estocados num galpão de 3 mil metros quadrados. A loja envia cerca de 15 mil encomendas por dia. Produtos mais polêmicos passam pelo aval de terapeutas antes de serem oferecidos ao consumidor. No site, muitos objetos recebem críticas de usuários logo abaixo da lista de utilidades, como os recém-lançados pregadores vibrantes de mamilos, Micro-vibe Nipple Clamps, que custam US$ 39,95. "Além de ser difícil de ajustar, esse produto faz um zunido insuportável!", escreveu uma consumidora insatisfeita.

Por terem recebido apenas críticas negativas, os pregadores não devem ficar por muito tempo no catálogo da loja. "A fila de novidades é enorme. Estamos sempre testando e atualizando o catálogo com produtos mais originais", conta Katy, que costuma receber ligações e e-mails de consumidores: "Dia desses, uma moça me agradeceu por ter conseguido o primeiro orgasmo com um vibrador e um livro de auto-ajuda que comprou no site. E não é raro atender consumidores que usaram brinquedos de maneira inapropriada e têm vergonha de ir para o hospital."



Modelo oriental de Realdoll: pele de silicone e preço de carro zero



Boneca pelo preço de um carro

O brinquedo mais caro do catálogo da Adam & Eve é a Virtual Girl, uma boneca de US$ 749,95 fabricada pela Topco, cuja descrição lembra um comercial daquelas sandálias que não soltam as tiras: "Você pode agarrar e quicar o corpo perfeito de sua boneca à vontade, pois ela nunca perderá a forma original". Mas, na indústria do sexo, a Virtual Girl está a anos-luz da Realdoll, boneca que surgiu em látex nos anos 90, foi promovida a silicone e está sempre ganhando novos tipos de corpo, rosto, cor de pele, cabelo, esmalte e maquiagem. Sem intermediários, "para não encarecer o produto", a boneca só pode ser comprada no site da fábrica Abyss Creations, por US$ 6.499, fora a taxa de entrega, que varia de US$ 450 a cerca de US$ 800, dependendo do país.

A Realdoll também costuma ser usada em filmes de Hollywood e já existe nas versões masculina (Charlie, um boneco bonito de corpo e decepcionante de rosto) e hermafrodita. Estas custam pelo menos US$ 500 a mais do que a versão feminina. Um consumidor no Brasil não pagaria menos do que US$ 8 mil, o preço de um Palio 16V 0km, para receber em casa uma caixa de 1,50m com a versão hermafrodita completa.

Apesar do preço salgado, a Realdoll faz sucesso. Há roupas, sapatos e perucas feitas especialmente para elas e algumas viraram estrelas de DVDs e sites pornôs, que prometem mostrar aos internautas "o que as bonecas fazem quando ficam sozinhas em casa". O fabricante avisa no site: "A Realdoll é maciça, feita de silicone e óleo, tem esqueleto de titânio, muita flexibilidade e está cada vez mais sexy. Agora ela vem até com marca de biquíni.” Ele sugere que a boneca seja colocada sob um cobertor elétrico para que a temperatura fique parecida com a de um corpo de verdade. Quente ou fria, ela faz sempre o tipo calada. Mas sua principal concorrente, a CybOrgasMatrix, já é falante - e custa US$ 1 mil a menos. Até chegar ao material atual, uma mistura de gel e borracha cinco vezes mais elástica do que o silicone, os pesquisadores da fábrica Mimicon demoraram sete anos e gastaram US$ 500 mil com os protótipos. Mas a flexibilidade não é tudo neste departamento: a CybOrgasMatrix, cuja principal boneca é inspirada na atriz pornô Pandora Peaks, é mais feia e menos popular do que a Realdoll.

E que ninguém pense que as meninas infláveis do século passado se aposentaram diante de tanta tecnologia. Inspirada na atriz pornô Linn Thomas, a primeira falante deste grupo custa cerca de US$ 200 e foi lançada há três meses. É de vinil, tem cabeça, mãos e pés de manequim, treme levemente e ativa o bla-bla-blá caliente assim que começa o ato sexual. Há quem prefira o silêncio e apenas partes do corpo mais em conta. "A boneca tem feito sucesso, mas ainda está longe nas vendas do nosso produto mais popular, o vibrador Jack Rabbit. Muitas consumidoras não quiseram mais saber de homens de verdade depois dele", exagera Scott Stein, representante da fábrica California Exotic Novelties, sobre um vibrador colorido, que custa cerca de US$ 40 nas lojas e é o mais vendido do mundo.


Kit para fetichistas: reprodução de partes do corpo de artistas pornô

Os homens têm uma maior variedade de zonas erógenas à disposição, a maioria com "grife". A atriz pornô asiática Kaylani Lei tem uma cópia do pé direito à venda. O objeto vem numa caixa, acompanhado de talco e de uma réplica da vagina da moça, por aproximadamente US$ 30. Foram copiados também a boca com a língua e piercing de Devinn Lane, os seios de Tera Patrick e as zonas pélvicas de dezenas de outras atrizes. "Para uma estrela pornô, é um prêmio ter parte do corpo copiado", esclarece a rainha do gênero, Jenna Jameson, que vende réplicas de sua boca (US$79.95), vagina ($79.95) e toda a zona pélvica (US$159.95) em seu site pessoal.

Os fabricantes garantem que os moldes são feitos diretamente nos corpos dos astros e estrelas pornôs. "Para as mulheres, a situação é bastante desconfortável, mas moldar um pênis é sempre mais difícil. Imagine um homem tentando manter a firmeza dentro de um material frio de gesso", comenta Scott Stein. Muitos encaram o desafio. A maior fábrica dos Estados Unidos, a Doc Johnson, tem uma galeria de réplicas de pênis de atores do cinema pornô, como o Bam Realistic Cock, de 33cm, que custa cerca de US$ 70 e vem com uma foto autografada do dono, o ator conhecido apenas como Bam. "Minha namorada tem muitos vibradores. Ela começou com os pequenos (Stryker) e foi lentamente aumentando (Holmes). Quando dei o Big Bam de presente para ela, os outros nunca mais saíram da gaveta", escreveu um consumidor numa sex shop virtual.

Outro pênis que vem ganhando a preferência das mulheres é o Remote Control Venus Penis, da California Exotic Novelties, que custa cerca de US$ 50 e, como o nome diz, funciona com controle remoto. Ele não foi inspirado em nenhum ator pornô, tem apenas 6cm, mas funciona numa distância de até sete metros, e "pode ser usado com discrição em locais públicos", como sugere o fabricante. A Doc Johnson, que é considerada a maior fabricante americana de brinquedos sexuais, foi ainda mais longe e lançou, há dois meses, o vibrador iRabbit (cerca de US$ 80 e 18 cm), que pode ser controlado pela Internet. Com o brinquedo na mão e o site HighJoy.com na tela do computador, o usuário pode ver, ouvir e "sentir" um parceiro que esteja do outro lado do mundo. "O iRabbit é, sem dúvida, o maior best-seller entre os nossos 1,5 mil produtos. Este vibrador está revolucionando o sexo virtual", diz Dylan Conroy, da Doc Johnson.

O Natal é do patinho


Versão sado-masô do pato-vibrador: estrela num mercado de US$ 8 bi


Em meio a tanta criatividade, não é raro encontrar brinquedos de gosto exageradamente duvidoso. A empresa Divine Interventions vende pela Internet uma linha de dez pênis de silicone com motivos sacros, de Jesus Cristo a Buda. Eles custam de US$ 30 a US$ 60 e provocam mais polêmica do que lucro, mas estão no mercado há quase três anos.

Demanda não falta para os produtos mais comuns. Segundo a pesquisa mundial sobre sexo da Durex Condoms, divulgada na semana passada, 43% dos americanos em idade adulta usam vibradores, contra 13% dos brasileiros. Os Estados Unidos ficaram atrás apenas da Islândia (52%), Noruega (50%) e Reino Unido (49%), enquanto o Brasil ficou em 32º lugar no ranking de 41 países pesquisados. "Cada povo tem sua maneira de expressar ou reprimir a sexualidade. Apesar dos Estados Unidos não serem liberais como outros países, as maiores companhias da indústria de sexo estão aqui", pondera Dylan Conroy.

Mas nem só de objetos fálicos é feita a indústria de brinquedos de sexo para as mulheres. Um singelo patinho amarelo de banheira, I Rub My Duckie (cerca de US$ 20), vira um poderoso vibrador à prova d'água quando tem o bico pressionado. O brinquedo da Big Teaze Toys foi eleito o melhor do ano na Europa, em 2002, e vendeu tanto que ganhou filhotes: pato-diabinho, pato pequeno para viagem, peixe, minhoca, pirulito etc. O último lançamento é o Bondage Duckie, o patinho sado-masô. Muitas sex shops estão apostando que a novidade será o brinquedo de adulto mais vendido no Natal deste ano.

Para quem gosta de mais ação, vale testar o balanço Love Swing. É preciso ter espaço em casa: ele é da largura de um sofá. "Por até US$ 400, o brinquedo permite que o dono faça 100 posições sexuais sem precisar trocar de parceiro", promete o fabricante. O modelo mais simples, de US$ 150, bateu recordes de venda ao aparecer na casa da fogosa Samantha, num episódio de "Sex and the City". "Mulheres e casais são os principais consumidores de brinquedos. Temos 60% de homens e 40% de mulheres cadastrados, mas eles preferem DVDs interativos (o espectador escolhe as posições, ângulos etc.), enquanto elas gostam de experimentar todo tipo de novidade", conta Katy, da Adam & Eve.

Na briga por originalidade, é comum as fábricas errarem a mão. Difícil é fazê-las admitir o erro. Abre o jogo, Katy: "Alguns produtos são inacreditáveis. Nós testamos e avaliamos todos os lançamentos que os fabricantes mandam, mas já cometemos enganos. O maior deles foi a réplica de uma vagina de mulher madura. Os filmes pornôs com atrizes mais velhas estavam fazendo sucesso na ocasião e, então, resolvemos apostar no produto. Não vendemos nenhuma."

Postado por Wagner | 4:44 PM  |

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